terça-feira, 31 de julho de 2012

Mais um excerto


Dando continuidade ao "precedente" que abri no último post, aqui fica mais um trecho do livro O Templo dos Três Criadores, este centrado na mitologia por detrás da história, e que pode ser encontrado no Capítulo 15:

"Xerba era o deus do sangue amarelo, sangue esse que estava associado a certas propriedades mágicas. O deus da morte, do fogo e das artes era assim o mais sinistro e tenebroso de todos, aquele que não era homem nem mulher, com orelhas em bico, cujos olhos brancos eram desprovidos de expressividade, o deus do qual só se conheciam as histórias mais sombrias e que pouco ou nada vinha referenciado nas Crónicas de Lusomel, ao contrário dos restantes seis, cujos feitos e glórias eram amplamente aclamados nos Livros Sagrados. Mas afinal, qual tinha sido o papel de Xerba na Criação de Lusomel?
- Bem, – esclareceu Ozlus – Xerba foi praticamente o Criador dos Criadores, no que a nós diz respeito! É um facto que acabou por ficar com as tarefas mais ingratas, pois enquanto Zirmeu e Falíria se ocuparam de desenhar e inventar Lusomel a seu bel-prazer, criando todo este magnífico Arquipélago, Xerba sempre se interessou mais sobre o tipo de criaturas que o iriam povoar, e para criar a raça perfeita fez inúmeras experiências até chegar àquela que mais se aproximava da que ele idealizara para habitar no seu mundo...
- Os Homens.
- Isso mesmo, caro Denzil! Mas antes disso, outras criaturas foram alvo das suas experiências, e como não vingaram nem realizaram os propósitos que o deus amarelo tinha estabelecido, Xerba lançou-lhes a sua maldição, para todo o sempre conhecida como a maldição de Xerba! Já não podia desfazer o que estava feito, mas condenou essas raças a viver na condição de criaturas indignas e inferiores, esvaziando-as de todas as virtudes divinas e humanas, habitando as ilhas e locais mais pobres e desprezíveis do Arquipélago!
- É essa a origem dos kriorns?
- Nem mais! São criaturas outrora amaldiçoadas por Xerba, vis e mesquinhas, que desde então procuram recuperar o poder que já lhes pertenceu! E é nosso dever enquanto homens combatê-las, triunfando sobre todas as demais criaturas de Lusomel como foi vontade dos deuses! Lembrai a mensagem do último capítulo das Crónicas, a nós, homens, dirigida: quebrai o que foi quebrado, fazendo do solo crescerem todas as virtudes! Devemos sim eliminá-los fazendo renascer todas as virtudes, mas tendo sempre presente na memória que o mesmo que lhes sucedeu a elas, pode suceder a nós se não formos um povo grato e solidário, e se não venerarmos os deuses e o nosso Arquipélago com toda a dedicação! Por isso este deus é tão temido, pois todos receiam que a maldição de Xerba caia sobre si, e que estejam condenados a viver na condição de escravos, criaturas sem alma, nesta vida ou na próxima!(...)"

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