sexta-feira, 18 de maio de 2012

@cordo ortográfico

O logótipo do novo acordo ortográfico pode ser encontrado na contracapa do livro O Templo dos Três Criadores, sinalizando a grafia nos termos da qual o livro foi editado. Tratou-se de uma decisão tomada por mim, no sentido de conformar o livro com a nova política editorial e de comunicação da editora. No entanto, durante o processo de edição do livro, considerei que deveria dar a conhecer o meu ponto de vista sobre o assunto, e as razões que me levaram a consentir que o livro fosse convertido ao novo Acordo Ortográfico. E assim o fiz, através da introdução de uma curta Nota de Autor, que poderão encontrar na última página do meu livro. Por considerar ser um tema relevante da actualidade, e particularmente uma questão de princípio, proponho-me a reproduzir aqui a minha nota  final do livro:


Como o leitor terá certamente reparado, este livro encontra-se editado ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, aprovado em 1990 e introduzido oficialmente entre nós desde janeiro de 2009. Mesmo desconhecendo qual será o ponto de vista do leitor sobre o assunto, a natureza controversa do tema obriga-me a roubar mais uns instantes do seu tempo acrescentando mais esta folha à sua leitura, em jeito de nota final.
Começaria por referir, em primeiro lugar, que a decisão de adotar o novo Acordo Ortográfico foi minha, em concordância com o estabelecido com a Alfarroba Edições. Em segundo lugar, apraz-me referir que, apesar de este livro ter sido editado em conformidade com o novo Acordo Ortográfico, ele não foi escrito ao abrigo das novas regras impostas pela reforma, mas antes de acordo com a ortografia oficialmente vigente até então. Com efeito, eu, enquanto autor e cidadão português, manifesto a minha discordância geral com os pressupostos e fundamentos que nortearam a implementação do novo Acordo Ortográfico entre nós, assim como a própria validade jurídica da convenção que o instituiu, por razões que não seriam adequadas estar aqui a explanar. 
Mas então, perguntará o leitor, qual a razão que me levou a adotar o novo Acordo Ortográfico já depois de o livro estar escrito?
Efetivamente, após algum tempo de ponderação, acabei por decidir – já que, insisto, a decisão final foi da minha inteira responsabilidade – submeter a minha obra ao novo Acordo Ortográfico. Fi-lo porque tive de tomar em consideração todos os contrapesos do outro braço da balança, designadamente as exigências do mercado e as estratégias de marketing, cujo peso e importância são absolutamente fundamentais, principalmente para quem, como eu, está ainda na rampa de lançamento e começa agora a dar os primeiros passos. Foi necessário ter em atenção que este livro tem como público-alvo preferencial, embora não exclusivo, as faixas etárias mais jovens, e que o contacto destas, tanto ao nível escolar/académico como ao nível da interação social começa a ser tendencialmente feito segundo os novos padrões. Afinal de contas, já é possível encontrar-se um consenso em torno da adoção do novo Acordo Ortográfico, tendo sido incorporado não só ao nível dos mediáticos órgãos de comunicação social, mas também da comunicação corrente entre entidades públicas, escolas, empresas, etc.
Perante este cenário, resta reconhecer que há coisas que nos ultrapassam. Há que ser pragmático e há que ser realista. Escrevi este livro no português que aprendi e continuarei a escrever da mesma forma, publiquei-o com muito orgulho, e não será este pormenor que me retirará essa satisfação. Por isso aqui deixo esta nota em jeito de “voto de vencido”, por se tratar, creio, de uma questão de princípio e de objeção de consciência.
Não escrevo este texto em tom de protesto. Não me arrogo dono de nenhuma verdade, nem espero convencer ninguém a pensar como eu ou a fazer desta discussão um cavalo de batalha. Trata-se simplesmente da minha humilde opinião, que defenderei como todas as minhas convicções, sem qualquer tipo de imposição. Na melhor das hipóteses, talvez possa levar o leitor a refletir (com “c”) sobre o tema, de forma a olhar criticamente para a nossa língua portuguesa e sobre ela retirar as suas próprias conclusões.


Para uma maior compreensão da minha posição acerca deste tema, sugiro que visitem esta página do meu blog sem justa causaonde faço uma análise mais extensa do que me parece ser o cerne do problema relacionado com a implementação do novo acordo ortográfico. 

Sem comentários:

Enviar um comentário